segunda-feira, 13 de maio de 2013

Entrevista com o artista Alberto Tembo

Estamos dando início a uma nova seção deste blog, um ciclo de entrevistas que serão curtas, porém muito inspiradoras. Conversaremos com pessoas interessantes que trabalham criativamente interligando áreas de conhecimento distintas ou que possuem uma visão ou trabalho significativo do ponto de vista da sustentabilidade em qualquer nível.

Iniciaremos este ciclo com um bate-papo com o artista e educador  Alberto Tembo, que também é sócio-fundador da Zebra 5, uma empresa de educadores que acredita no jogo como um valioso elemento do aprendizado estético.




1.  Beto, além da arte, você tem uma grande paixão por animais e pela natureza em geral. Muitos de seus trabalhos revelam essa admiração. Como você constrói estes vínculos? Você diria que busca uma abertura de consciência mais ecológica através da arte?

A ligação de arte e ecologia se deu para mim de uma maneira natural. Hoje, a land art e a produção dita ”ambiental” retornaram com força, mas para mim isso nunca foi uma questão de inserção no mercado da arte - mesmo porque na época em que estava na faculdade não havia o menor estímulo para que se seguisse esse rumo. Então, foi uma busca solitária, mais introspectiva no início, e que ao longo do tempo foi agregando parceiros de trabalho e inspiração, e tornando-se felizmente mais coletiva.

Por estranho que pareça, um artista que me inspirou a dar um salto rumo ao desenvolvimento de uma arte viva, ou bio-arte, foi Abraham Palatnik, que nada tem a ver, que eu saiba, com a discussão ecológica. Quando entrei em contato com sua obra percebi que as categorias artísticas, divididas em linguagens, não significam nada, não fazem nenhum sentido. E que para produzir, devemos usar nosso conhecimento adquirido nos mais diversos campos- no caso dele, na engenharia. Foi quando comecei a produzir obras com aquários, por exemplo.

Acredito na arte como uma potente possibilidade de expansão de consciência, de rumar para uma zona de expansão que outrossim permaneceria intacta, de enriquecer nossa existência. E para além deste poder de mobilização individual, também opera mudanças concretas. Muitos artistas mobilizam questões de interesse social sem cair no discurso panfletário, sendo propositivos e estéticos ao mesmo tempo.

Para mim, interessa discutir a nossa experiência na terra, com t minúsculo, nossa vivência e a dos outros, todos os outros, que nos cercam. A ecologia sempre existiu, antes mesmo de existir como termo ou ciência. Eu busco essa ecologia.

2. No passado, você fez uma viagem à África. O que lhe impressionou mais, tanto positiva quanto negativamente em relação à vida nesta região do planeta?

Pareceu uma viagem a um passado remoto, ancestral.

A pobreza e corrupção, principalmente nas cidades,  é terrível. Mas o que mais me chocou foi perceber como nos recrudescemos com a dominação. Eu conseguia ter contato espontâneo apenas com crianças e adolescentes. Com adultos, a relação era, via de regra, calcada no dinheiro- em quanto eu, como turista, poderia render, em gorjetas ou compras. É compreensível pela História, mas não deixa de ser triste. Isso impediu uma troca mais rica, imaterialmente falando.

Em relação aos animais, duas experiências me marcaram.

Uma ocorreu durante conversa com um Masai, em que ele foi imitando sons dos bichos da savana. Quando perguntei qual era o som do rinoceronte, ele demorou. Parecia raramente ouvi-lo. Depois de um tempo, soltou um ruído, e disse: “Rhino dying”. Era o som ao longe, dos rinocerontes vitimas de caçadores com armas de fogo. Parecia um animal remoto mesmo para um africano. Muito triste.

A outra foi uma experiência maravilhosamente estranha ao ver uma girafa galopar na savana. Alguma coisa no meu cérebro ocorreu, fiquei achando que havia algo errado com aquele movimento, parecia tudo em câmara lenta. Foi lindo. Fiquei desnorteado por um minuto, tentando me situar, foi esquisitíssimo.




3. O que você sugeriria como atitude ou ação que contribuísse para construirmos uma sociedade mais sustentável, que respeite os sistemas de vida como um todo do qual somos parte?


A resposta está na pergunta. Respeitar os sistemas de vida como um todo.
A compreensão errada da religião causou uma grande desconexão com a natureza. Expulsou-a de nós ao mesmo tempo em que nos expulsou do paraíso. Negou-nos sua sensualidade, sua experiência direta, em prol de um domínio conceitual extremamente desonesto. Está na hora de compreendê-la de outra forma, resgatar vertentes amorosas e não excludentes ou hierárquicas, retomar Francisco de Assis com mais honestidade e diligência. E olhar humildemente para outras tradições que concebem a relação com a natureza de modo mais irmanado. Construir uma ética que seja calcada de fato na preservação da vida, como o maior bem que existe.

4. O Zebra 5 é um projeto que busca novas formas de aprender a partir do jogo, ou seja, de processos mais lúdicos, estéticos, colaborativos e interativos. Que características importantes para o desenvolvimento de uma inteligência mais humana você acredita que os jogos podem ajudar a adquirir?

O jogo é uma ferramenta sensacional. Mas dentro deste conceito de jogo, há uma gama enorme- os virtuais, os cooperativos, os de tabuleiro, os jogos simbólicos, os de construção... depende da lógica que se queira agrupá-los. E cada qual pode propiciar o desenvolvimento de uma ou outra habilidade ou faceta do ser humano. Mas tem duas coisas que me fascinam nos jogos: em geral, são movidos pelo prazer de se jogar, de se superar o desafio; e são mundos que se distinguem da vida comum (nesse sentido se aproximam da arte). Eu me surpreendo como a educação pode viver tão distante dos jogos, ou como utiliza-os mal,  ao tentar torná-los excessivamente pedagógicos, destruindo-os enquanto jogos.

5. O que o termo “Sustentabilidade de Vida” diz para você?

Me faz pensar que, se conseguirmos compreender sem tristeza que nossa vida deixará de existir, mas a Vida como um todo continuará, faremos de tudo para não agredi-la. Querer sustentar nossa vida indefinidamente, no centro de tudo, é o maior problema. É insustentável, afinal.

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Alberto Tembo acaba de inaugurar um conjunto de intervenções efêmeras e orgânicas nas áreas verdes do Sesc São Carlos: Intervenção - CorRedorVerDe. Para Saber mais:

http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=247284

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Abaixo um vídeo de uma mostra realizada para o Sesc em 2012:  


LCAC Mostra Sesc 2012 from Stella Ramos on Vimeo.


domingo, 28 de abril de 2013

Bolívia dá exemplo com a Lei da Mãe Terra


Confesso que às vezes fico impressionada com certas notícias as quais, por serem tão inusitadamente boas, me deixam espantada e, ao mesmo tempo, entusiasmada. Foi o que aconteceu a respeito da nobre atitude da Bolívia.

 
 
Em outubro de 2012, o presidente da Bolívia, Evo Morales, promulgou a primeira Lei do mundo que dá direitos à Mãe Terra como um ser vivo. Essa Lei se baseia na concepção indígena ancestral que entende o planeta como um ser vivo que preserva a natureza através de um uso sustentável harmônico e equilibrado. Neste conceito, os seres humanos são vistos como uma de suas criaturas, as quais não têm o direito de colocar em risco seu equilíbrio e sobrevivência.

Essa Lei dá um exemplo ao mundo ao estabelecer 11 direitos à Mãe Terra, incluindo o direito à vida, o direito da continuação de ciclos e processos vitais livres de alteração humana, o direito a água e ar limpos, o direito ao equilíbrio e o direito de preservação da variedade de seres sem serem alterados geneticamente em sua estrutura.


Foto de: http://www.brasildefato.com.br/node/10913


Segundo a filosofia indígena, a Mãe Terra ou Pachamama, é considerada a mãe de todos, da qual dependemos para viver. Ela é sagrada, fértil e a fonte de vida que alimenta e cuida de todos os seres que vivem em seu ventre. Ela está em permanente equilíbrio, harmonia e comunicação com o cosmos. Ela abrange todos os ecossistemas, os seres vivos e sua auto-organização.
 
Com a Lei, o país, que perde milhares de hectares de floresta por ano, pretende reduzir a destruição, contaminação e alteração da natureza causadas pela ação do homem.

Esta é uma proposta ao mundo de promover uma imensa e necessária mudança de conceitos e da própria concepção da vida. É urgentemente necessário alterar a relação atual do homem com a natureza para começarmos a trilhar um novo e mais próspero caminho, pois nossos passos atuais estão claramente esgotando seus recursos e, se não há natureza, também não há vida nem humanidade. Parabéns à Bolívia, que sai na frente nesse caminhar.

Artigo da Lei de Direitos à Mãe Terra da Bolívia:
http://pt.scribd.com/doc/44900268/Ley-de-Derechos-de-la-Madre-Tierra-Estado-Plurinacional-de-Bolivia


terça-feira, 26 de março de 2013

A Noite Escura da Alma

Li a respeito de um tema muito belo e profundo que os antigos chamavam de a “Noite Escura da Alma”, que fala de algo que colocamos em movimento, um catalizador que nos faz avançar, algo que a vida nos traz quando mais precisamos. Enquanto ia lendo, fui me identificando com uma passagem limítrofe da minha vida, pela qual passei anos atrás.

A noite escura da alma é um intervalo no tempo em que chegamos a um ponto tão crítico e escuro da vida, emocional e espiritualmente falando, que precisamos nos agarrar em algo para sobreviver. E este algo aparece diante de nós, extraordinário e muito atraente e, quando aceito, nos dá um impulso de mudança. “Você criou para si mesmo uma situação (...), despertou uma força interior que poderá vir a ser sua mais poderosa aliada. Quando você passa por uma experiência dessas, você ganha uma confiança nova inquebrantável” (Gregg Braden).



Imediatamente lembrei de uma época em que tive depressão e tudo a minha volta – trabalho, família, vida social, etc. - parecia um quarto escuro sem janelas nem portas. Naquela época pensei que nunca mais sairia de lá. Foi quando recebi um convite para fazer um curso de mestrado na USP e, apesar de todas as dificuldades, com o grande incentivo do meu orientador, resolvi aceitar o desafio.

Quando comecei todo esse processo que desencadeou outros e me transformou profundamente como ser humano, essa nova e inquebrantável confiança surgiu e novos horizontes se delinearam. Hoje sou uma pessoa completamente nova e muito mais feliz, vejo uma vida com infinitas possibilidades diante de mim. A beleza desse processo está em reconhecer que toda essa riqueza foi possível pelos momentos difíceis que passei. E, como diz Gregg Braden, é muito reconfortante saber que só puder passar por esse momento crítico porque fui eu mesma quem o criou, como uma alavanca para saltar o muro em direção a campos mais livres.

Neste momento em que celebramos a Páscoa, essa ideia se torna ainda mais bela, afinal a morte e a ressurreição significam transcender da escuridão para a luz, morrer para uma vida e renascer em outra.

Assim como o ano tem quatro estações: outono, inverno, primavera e verão, nossa alma também tem ciclos que fazem parte do processo de evolução. Perceber as sincronicidades da vida significa perceber também os sutis processos de transformação pelos quais passamos e entender que os tempos difíceis surgem para nos levar a momentos melhores, o verão do espírito.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Dia mundial da água



No Ano Internacional de Cooperação pela Água e no Dia mundial da água, a mensagem deixada por Vicente Andreu, diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA) em vídeo publicado pela UNESCO é a de que devemos ter muito respeito pela água porque ela é muito importante para nós.



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Cosméticos que não são testados em animais


Participei como uma das entrevistadas na ótima matéria da jornalista Carol Salles para o UOL: "Cosméticos que não são testados em animais: você já aderiu?".

"Em 1° de fevereiro, uma notícia histórica fez a alegria dos defensores dos direitos animais: a União Europeia anunciou o banimento definitivo dos testes em qualquer novo cosmético vendido nos países de seu território, mesmo que seja importado. A medida começará a valer a partir de 11 de março."



Vale à pena conferir:

http://mulher.uol.com.br/beleza/noticias/redacao/2013/02/14/cosmeticos-que-nao-sao-testados-em-animais-voce-ja-aderiu.htm